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De onde vem nossa inspiração?

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RAFFAELLO Sanzio, The Council of Gods. 1517-18. Fresco. Villa Farnesina, Rome. Fonte: http://www.wga.hu/support/viewer/z.html Acesso em 07/10/2016.


Para entendermos o pensamento grego, que fundamenta essa ideia de inspiração, precisamos fazer um exercício de tentarmos pensar como eles pensavam, pois do contrário, provavelmente faríamos uma interpretação equivocada.

Diferente do mundo cristianizado que vivemos hoje, a ideia de universo e de Deus, para os gregos, está tudo no mesmo lugar. Para os cristãos Deus é uma entidade externa ao universo e, que de fora do mundo cria tudo, o espaço, o tempo, os planetas e tudo que tem neles, é o que chamamos em filosofia de um Deus transcendente.

Os gregos acreditavam em um conceito de Deus Imanente, ou seja, Deus está no universo, é o universo, está em tudo e em todos. Para os gregos os deuses eram criaturas muito evoluídas, e tentar entendê-los como sendo incompletos e inferiores como seres humanos, não seria possível.

Mas, como então podemos pensar, criar, inventar, sendo estas ações notadamente divinas? Fazemos isto, porque em alguns momentos respiramos pequenos fragmentos de PNEUMA (ar) e podemos assim ter pequenos fragmentos da consciência divina, invisível e imutável que habita o universo, povoando nossa consciência. 

Escravidão: revisando, pesquisando e ampliando o tema

Marc Ferrez. Negra da Bahia, c. 1885. Salvador, BA / Acervo IMSOlá professor, muitas vezes somos surpreendidos pelos nossos alunos quando em algum momento de nossas aulas eles afirmam que escravidão é sinônimo de negro.

Para superarmos esta visão, e ampliarmos a discussão sobre a escravidão, elaborei uma apresentação em telas de ppt utilizando imagens do Livro Integrado Positivo do 8º ano e do Livro Digital do 8º ano, e OEDs do Portal Positivo (para 2017 serão do Positivo On).

Nessa apresentação discutiremos a condição do escravizado enquanto condição humana e não racial, bem como trabalharemos a inserção do trabalho escravo na sociedade do período imperial, para além do trabalho agrícola na plantation, inserido no dia a dia das cidades e vilas brasileiras.

Disponibilizamos também um trecho do filme “Quando Vale, ou É por Quilo?” (2005) do diretor Sérgio Bianchi, que explora a relação senhor/escravo em patamares diferentes do que estamos habituados a ver, com um escravizado letrado e com uma profissão diferente do habitualmente vemos, e baseado num processo crime pesquisado no Arquivo Nacional.

A apresentação incentiva a participação dos estudantes por meio da construção de hipóteses, da pesquisa, da interpretação e construção argumentativa, sobre uma temática de grande relevância para a História escolar e a formação de nossos alunos.

Procedimentos

Na 3ª tela da apresentação aparece uma no título “Um escravo”, e sem nenhuma imagem. Motivados por tal mensagem, espero que os alunos formulem uma imagem mental de um escravizado.

Na 4ª tela os alunos são convidados a externarem qual imagem mental formularam, e o professor analisará este conhecimento prévio de seus alunos, que inconscientemente formularam uma hipótese. Seriam os escravizados imaginados pelos alunos homens negros, brancos, ameríndios ou asiáticos?

Na 5ª tela são apresentadas imagens de escravizados na Grécia e Roma antigas, para servir de contraponto às imagens mentais formuladas pelos alunos. Teriam seus alunos imaginado um escravo em andrajos, dedicado ao trabalho agrícola, provavelmente da cana de açúcar, ou sendo supliciado pela chibata?

Na 6ª tela aparece um escravo urbano, bem trajado, talvez diferente da imagem mental dos alunos. Podemos começar a perguntar para nossos alunos porque este escravizado está vestido desta forma.

Nas telas seguintes aparecem os OEDs do Portal (Positivo ON em 2017) e a sugestão de um trecho de filme.

Para finalizar, a indicação de uma produção textual, que pode ser ampliada para outros suportes, tais como cartaz, vídeo, HQ, entre outros.

Somos filhos do acaso?

Somos filhos do acaso?

TERBRUGGHEN, Hendrick. Demócritus. 1628. Oil on de canvas. 85 X 70 cm. Museu central, Amsterdam. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2e/Hendrik_ter_Brugghen_-_Democritus.jpg Acesso em 20/09/2016

Fonte: BRUGGHEN, Hendrick. Democritus. 1628. Óleo sobre Canvas. 85 X 70 cm. Museu central, Amsterdam. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2e/Hendrik_ter_Brugghen_-_Democritus.jpg. Acesso em 19/09/2016.

Boa parte dos filósofos pré-socráticos como, Parmênides, Anaxágoras, Lêucipo e outros, teorizaram sobre o ser, e o não ser. O ser não pode se converter em não ser, e vice versa.

Mas, como explicar o nascimento e morte das plantas e animais por exemplo? Nenhum deles deu uma explicação convincente até Demócrito. Demócrito disse que toda a teoria anterio,r era significativa e verdadeira, porém, incompleta já que negava a passagem de um estado a outro mas não explicava como.

A explicação é simples, não vemos porque a partícula de que tudo é formado é muito pequena para ser vista, Demócrito se referia ao átomo. O filósofo explica ainda que as coisas são feitas de uma mesma partícula, mas que, dependendo do seu movimento no vazio, pode se organizar de inúmeras formas e é por isso que as coisas são diferentes umas das outras.

Não há uma inteligência que gera a ordem cósmica, apenas uma ordem cósmica que gera, ao acaso, tudo que existe, inclusive nós. Filhos do acaso.

Encontrados novos desenhos do primeiro europeu que reproduziu o Brasil

Olá pessoal! A postagem de hoje é para tratar de uma importante descoberta: novos desenhos de Frans Post (1612-1680), primeiro artista que produziu imagens sobre o Brasil. Ele esteve aqui a convite do príncipe João Maurício de Nassau, governador da colônia holandesa no Brasil. Essas ilustrações podem ser fontes muito ricas para trabalharmos com nossos alunos tanto do Ensino Fundamental 1 e 2 quanto do Médio já que permitem debater os primeiros registros históricos feitos por aqui, além de nos lançar ao olhar do colonizar em tempos passados.

Clique aqui para ler uma matéria que trata do assunto!

Reprodução - El País

Reprodução - El País

100 anos do término da Guerra do Contestado

Professores e professoras,

Este mês completam-se 100 anos do término da Guerra do Contestado, um acontecimento histórico cercado de inúmeras possibilidades de abordagem.

Este conteúdo é abordado no volume 4 da 2ª série do Ensino Médio de História, em especial na unidade de trabalho 13, República no Brasil, sob título de “Movimentos Sociais Rurais”. Temos inclusive um infográfico muito interessante. O vídeo que está no link pode ajudar a ilustrar as aulas sobre o tema. Clique aqui.

Reprodução: TV Senado

Reprodução: TV Senado

Mapas históricos: um aliado na compreensão da simultaneidade

“Meus alunos leem os textos, mas não conseguem fazer conexões com o que leem.”

“A interpretação de texto ainda é um problema em sala de aula, para alunos de todas as fases.”

Essas são pontuações comuns feitas por professores de História. Mas o que pode fugir ao olhar são os conceitos fundamentais a serem trabalhados pelos professores para auxiliar os alunos na difícil tarefa de fazer conexões entre textos lidos e entre conhecimentos adquiridos; um desses conceitos é o de simultaneidade.  A simultaneidade é um conceito de extrema importância para que o aluno consiga compreender os processos históricos em sua totalidade, fazendo relações e problematizações do mesmo processo em perspectivas diferenciadas.

Uma das maiores dificuldades de nossos alunos, em todas as fases de aprendizado, é compreender , e também perceber, processos históricos que acontecem simultaneamente e que os mesmos se complementam; compreender como os acontecimentos na Europa do século XVIII influenciam diretamente processos no Brasil, na mesma época, por exemplo. A compreensão do conceito de simultaneidade esbarra na própria compreensão que os alunos tem do conceito de tempo, que muda e se desenvolve a cada ano escolar. Por esse motivo os professores percebem que a dificuldade dos alunos é muito maior nos anos iniciais do Ensino Fundamental 2, quando a maneira como o aluno vê, entende e percebe o tempo muda drasticamente.

Os mapas históricos são uma ferramenta excelente para trabalhar esse aspecto de forma mais clara com os alunos. Pensando nisso, pesquisadores espanhóis criaram o sistema GeaCron, que possibilita uma percepção mais concreta das transformações históricas, pois utiliza coma base  o mapa político atual. O Atlas Histórico apresenta as transformações por décadas e/ou séculos, como preferir o pesquisador.

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O Portal Positivo também oferece opções para o professor trabalhar conteúdos de suas aulas por meio de Mapas Históricos. O Atlas Histórico pode ser utilizado pelo professor juntamente com o Atlas Geográfico, apresentando Mapas Históricos e, depois, o mapa geográfico atual e pedindo aos alunos que façam comparações e análises.

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O professor ainda tem outras possibilidades para encontrar diferentes mapas históricos! O site da Biblioteca Nacional de Portugal oferece a coletânea Cartografia do Brasil (1700-1822), que pode acompanhar o acervo de Cartografia História da USP no preparo e abordagens de nossas aulas!

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Além destes acervos on-line, o professor também pode contar com o Atlas Histórico Escolar, de edição de 1977 distribuída pelo MEC e que hoje consta no Domínio Público para download. Além de mapas e imagens, o atlas conta com textos interessantes que podem ser trabalhados em sala.

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E você professor, já pensou numa aula com mapas para estimular o trabalho com o conceito de simultaneidade? Qual seria o conteúdo que você trabalharia? Qual dos acervos acima o professor utilizaria?

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O Samba: Do popular ao nacional popular

O Samba: Do popular ao nacional popular

Walfrido S. de Oliveira Jr. - Assessor de História da Editora Positivo
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A publicação de Casa Grande e Senzala em 1933 é, reconhecidamente, um marco na produção intelectual brasileira que propõe reflexões sobre o que são o Brasil e o brasileiro. E a questão da mestiçagem é novamente um foco importante nessa discussão, só que diferente de outros autores e outras obras. Freyre vê como positividade todo o processo de miscigenação física e cultural.

Numa narrativa instigante, Vianna[1] ilumina um encontro entre Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Morais Neto, Heitor Villa-Lobos com os músicos Donga e Pixinguinha, no Rio de Janeiro de 1926. Desse e de outros encontros, Vianna descortina o trânsito e as mediações entre os estratos populares e a elite cultural (e econômica) do Brasil da década de 1920. As discussões do modernismo geraram um debate sobre a necessidade de atrelar as inovações internacionais à raiz popular, regional e brasileira. Esse diálogo rendeu frutos na década de 1930, tornando-se política governamental, e o samba se consolidou como o ritmo brasileiro.

O samba cumpria bem seu papel de ritmo popular e brasileiro, e comercialmente também era um sucesso. Sua região era o Rio de Janeiro, que era o centro da nação em construção, e essa centralidade foi, também, fundamental. O samba foi o ritmo regional que extrapolou suas fronteiras para ser construído como música símbolo de todo o Brasil.

Durante A Ditadura Vargas, a discussão entre nacional e popular ganha conotações de elevar a condição dos brasileiros à condição de trabalhadores. A crítica ao samba como representação da malandragem deveria ser substituído pelo samba representando o Brasil, e o trabalho. Mesmo antes do Estado Novo esta polêmica já estava estabelecida, como poderemos ouvir nas canções de Wilson Batista e Noel Rosa.

Mas, com a Ditadura já estabelecida, e em pleno funcionamento do DIP, no período da Segunda Guerra, a personagem elaborada no Brasil por J. Carlos, ou o próprio Walt Disney, que recriava a imagem do brasileiro como um malandro carioca, ligado ao samba e a cachaça. A imagem da malandragem, sobreviveu assim a campanha varguista, e convive junto com o samba em várias parcerias até a atualidade.


[1] VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

“Capela Sistina” da Idade Média é reaberta ao público

Construída 3oo anos após o imperador Constatino 1º converter-se ao cristianismo, a Basílica de Santa María Antiga permaneceu soterrada por mais de um milênio. O trabalho dos restauradores e estudiosos foi árduo, mesmo porque a capela, além de soterrada, foi afetada por terremotos que ocorreram na área. Depois de muito trabalho este ano a capela reabre para visitação.

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Com afrescos raríssimos que datam do século 6 ao 8, a capela possui mais de 250 metros quadrados distribuídos em três naves. As paredes da capela possuem quatro camadas de pinturas sobrepostas de quase três séculos. É um achado histórico sem tamanho.

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Quantos estudos podem ser feitos e quantas informações os historiadores podem descobrir a partir dessa nova fonte de pesquisa? Mostre as imagens da capela aos seus alunos e discuta com eles a importância da religião na Idade Média e qual a importância que esta capela teria em sua época. Pense também que tipo de informações os historiadores podem vir a encontrar coma  reabertura da capela!

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O noticiário Euro News publicou um vídeo no Youtube sobre a capela.

Aguardamos sua participação, professor!

Tesouro arqueológico - moedas romanas nunca utilizadas são descobertas na Espanha!

Um grupo de trabalhadores encontrou neste mês um tesouro inestimável: 19 ânforas de moedas romanas nunca antes utilizadas! As especulações em torno da descoberta são muitas e os pesquisadores já apontam ser uma descoberta sem paralelos.

O jornal espanhol El País noticiou a descoberta em primeira mão! Os jornais brasileiros não ficaram atrás e também publicaram versões da reportagem, como a feita pelo Portal G1.

As imagens feitas pelo jornal espanhol são incríveis! E você, professor, pode utilizá-las, juntamente com a notícia, para fazer uma introdução sobre o conteúdo de Roma, tanto para o 6º ano do EF2 quanto para a 1ª série do EM!

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As moedas encontradas foram levadas para o Museu Arqueológico de Sevilha. Agora começa o trabalho de catalogação do tesouro! Dez ânforas estavam intactas e nove quebradas. Duas delas foram avariadas durante a extração do esconderijo em que estavam a mais de 1700 anos.  (Fotos: Jornal El País)

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As moedas encontradas foram levadas para o Museu Arqueológico de Sevilha. Agora começa o trabalho de catalogação do tesouro! (Fotos: Jornal El País)

Então professor, aceita o desafio de levar essa notícia para trabalhar em sala de aula? Qual seria sua abordagem inicial? E qual atividade você proporia? Vamos discutir?

Aguardo a sua participação nos comentários!

Beatriz

A atualidade de Jean de Léry.

Francês e calvinista, Jean de Léry escreveu a obra  ”Histoire d’un voyage fait en la terre du Bresil, dite Amerique” (traduzida como “Viagem à terra do Brasil“) sendo editada em 1578. O tom de atualidade da obra se encontra na sua visão mais etnográfica, que procura perceber as diferenças culturais entre europeus e indígenas sem tantas hierarquizações, de uma forma mais horizontal.

Ao projetarmos a visão de Léry em nossa sociedade, podemos afirmar que sua atualidade é evidente, pois as populações indígenas ainda sofrem com as mesmas formulações sobre sua indolência e barbárie, e a formulação do calvinista francês já apontava para uma compreensão mais profunda, no que hoje chamamos de diversidade cultural, contribuindo para a chamar a atenção de nossa sociedade para este conceito, bem como possibilitando a análise dos conceitos de empatia, de etnocentrismo e de alteridade.

Boa leitura

 Funeral indígena. Xilogravura publicada por Jean de Léry em 1600, Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo

Funeral indígena. Xilogravura publicada por Jean de Léry em 1600, Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo