Trabalho com cenas do filme “Sonhos Tropicais”

sonhostropicais1Olá Professor(a)

Estou enviando algumas cenas do Filme “Sonhos Tropicais”, que aborda momentos da História do Brasil do início do século XX, como imigração, modernização da cidade do Rio de Janeiro, relações sociais e a Revolta da Vacina.

Para assistirem as cenas do filme acessem o link

 https://www.youtube.com/user/Walfrido64

Antes de apresentar as cenas do filme, sugiro a reflexão sobre algumas estratégias de trabalho com filmes:

* Roteiro de perguntas: os objetivos traçados pelo professor para seus alunos.

* Crítica interna e externa do filme.

* Exibir trechos de filmes, inseridos na dinâmica da aula.

* Frisar que o filme é uma representação, e não a realidade.

Cena 1 -  9’ 23”

Mostra uma vista do Rio de Janeiro no final do século XIX. Nota-se que o desembarque dos passageiros do transatlântico não se dá diretamente no porto, mas sim na baia, e em pequenos barcos eles eram transladados para o porto.

Em um dos botes chega Oswaldo Cruz e sua família, que vinha de seus estudos na Europa.

No porto “trabalha” Amaral, vendendo o jogo do bicho e mirando alguma oportunidade. Uma imigrante judeu-polonesa chega ao porto e Amaral resolve ajudá-la, pois havia uma recompensa envolvida.

A moça é encaminhada para um bordel, onde é explicado o engodo que ela sofreu. A história dela é de um engano muito comum que se dava principalmente com polonesas, estas eram atraídas por promessas de casamento, mas, na verdade, eram traficadas como escravas para o trabalho como prostitutas.

Cena 2   -  2’58”

A questão da saúde pública e os movimentos sociais são abordados nesta cena. O médico Oswaldo Cruz, que trabalhava no consultório da fábrica de tecidos Corcovado, recebe a Manoel, operário da fábrica, a mulher de Manoel está doente, mas a medicação indicada por Oswaldo não resolveu, e ele pede para Manoel encaminhar a esposa para um hospital público, Manoel não se sente atendido.

Na porta da fábrica Vicente de Souza, discursa para operários, e tenta organizar estes trabalhadores no Centro das Classes Operárias. Oswaldo Cruz fala do seu sonho de descobrir uma vacina para auxiliar no combate à varíola.

Cena 3  -  2’46”

Três personagens, reunidos na Confeitaria Colombo, e que representam a opinião pública culta do Rio de Janeiro, comentam sobre a fundação do centro de pesquisas em Manguinhos, no qual o doutor Cruz desenvolve a sua vacina. O próprio Cruz testa a vacina e garante sua eficácia.

Numa montagem contendo cenas de filme de época com cenas representando um filme de época temos as notícias da posse do presidente Arthur Bernardes, da repressão aos “capoeiras”, que representa uma ação de repressão social e do projeto de reforma urbana proposta pelo prefeito indicado Pereira Passos.

Cena 4  - 2’24”

O presidente Arthur Bernardes recebe Oswaldo Cruz. O presidente faz menção ao café, base da economia e base de seu grupo político. Os dois comentam sobre o combate à febre amarela, dos problemas que ela causa à população e à economia do país.

Cena 5   -  1’

Discurso de Oswaldo Cruz para os “agentes de saúde” conhecida como Brigada mata-mosquitos. Notamos um hiato entre o discurso humanista, técnico e bem intencionado do Doutor Cruz, e a ação violenta e desrespeitosa dos agentes. Se, por um lado, as ações foram eficientes no combate à febre amarela, por outro, descontentou parte da população.

Cena 6  -  2’15”

Arthur Bernardes comenta sobre o sucesso da luta contra a Febre Amarela.  Doutor Cruz faz um apelo pelo combate à peste Bubônica.

A população é incentivada a caçar os ratos, em troca de dinheiro. Alguns espertalhões passaram a criar ratos para vender ao governo.

Cena 7  -  11’

Mostra o conflito conhecido como Revolta da Vacina, decorrente de um clima de tensão criado pela vacinação contra a varíola. Parte da população desconfiava da vacina e de seus efeitos colaterais. A oposição queria um pretexto para atacar o governo, os excluídos queriam por fim a uma intromissão exagerada do governo em suas vidas, o Centro das Classes Operárias queria iniciar uma Greve Geral.

No bairro da Saúde, o negro Prata Preta organizou uma resistência armada e combatendo em barricadas os moradores enfrentaram a polícia.

A oposição mais elitista percebeu que não obteria a vitória, abandonando as classes populares a sua própria sorte. Uma cena muito expressiva é o diálogo entre Oswaldo cruz e o líder popular conhecido como Prata Preta, nesse diálogo ambos mostram as razões de sua “luta”, percebemos um diálogo de interesses, realidades e visões de mundo muito distantes, o médico com seus nobres e sinceros interesses de curar as doenças que assolavam toda a população da cidade, e o representante de uma população, que de tão desassistida não acreditava que alguma ação do governo pudesse ser positiva, visto que do poder público só recebia a repressão da polícia.

A repressão foi violenta e perseguiu os que não tinham a comprovação de moradia e trabalho. Várias pessoas que tiveram ou não participação no movimento de revolta foram enviados para o Território do Acre.